Entrevista concedida ao Jornal Estado de Minas.
24 de Abril de 2008

Internet vira fonte obrigatória nas pesquisas escolares
Analista de sistemas promove palestras em escolas de BH para incentivar alunos a usar ferramentas inteligentes na internet
Junia Oliveira - Estado de Minas
Marcelo Sant'Anna/EM

Tereza Stancioli deu dicas sobre a melhor forma de busca na rede para
alunos do Colégio Bernoulli

 


A internet se tornou um dos principais instrumentos de pesquisa para estudantes de todas as idades. Mas, se as informações não forem obtidas de forma consciente, o aprendizado pode ficar comprometido. Para ajudar os alunos a fazer os trabalhos de maneira correta, a analista de sistemas Maria Tereza Stancioli tem percorrido colégios de Belo Horizonte para ministrar palestra sobre o assunto. Na quarta-feira, estudantes da 7ª e 8ª séries do ensino fundamental do Colégio Bernoulli, no Bairro Santo Agostinho, na Região Centro-Sul de BH, aprenderam que a investigação é o melhor caminho para garantir boas notas e o conhecimento da matéria.

“A maioria das pessoas não consegue se comunicar corretamente com os sites de busca. Elas jogam palavras genéricas e, assim, o retorno também é genérico. A informação, conseqüentemente, é frustrante e, dessa forma, o aluno copia, cola, imprime e entrega o trabalho ao professor sem ler”, diz Maria Tereza. Segundo ela, conteúdo e análise da informação encontrada devem andar lado a lado. “É como se fosse um jogo no qual dito as regras. É preciso pôr as palavras corretas no campo da busca, de acordo com o que o professor quer, analisar mais de um site e usar a ferramenta do pensamento: análise, comparação e conclusão. É durante esse processo de investigação que a criança estuda”, ressalta.

A analista, especialista em educação, lembra que, antes da internet, os livros eram a principal fonte de pesquisa. Os alunos tinham de ler e resumir para não copiar todo o conteúdo. Maria Tereza vê com preocupação os recursos disponíveis atualmente, que permitem a cópia das informações deliberadamente. “O objetivo das palestras é chamar as crianças e jovens a pensar, a duvidar e a esclarecer as dúvidas. E não ficarem passivas diante do que estão lendo.”

Aluno da 8ª série, David Israel de Carvalho Nascimento, de 14 anos, segue à risca muitos dos conselhos dados pela analista de sistemas. Para ele, a internet é uma grande companheira nas pesquisas escolares. “Pego as palavras-chave para achar o que preciso e seleciono o que me interessa pelo tema dos títulos e das primeiras frases que aparecem no resultado das buscas. Leio, analiso e depois formato o texto com minhas próprias palavras”, diz.

Cautela

A colega dele, Virgínia de Assis, de 13, também considera a web fundamental, mas não descarta outros métodos. “Na modernidade, usamos muito o meio eletrônico, pois ele tem um acervo muito grande. É meu primeiro recurso, mas como segunda opção uso os livros”, afirma. A garota conta que quando os colegas se reúnem para os trabalhos em grupo, mesclam conteúdos de diferentes sites e, então, põem a opinião no papel. Ela recomenda atenção: “Devemos desconfiar de alguns sites e tomar muito cuidado com a procedência das informações, dando preferência àqueles cujos autores são profissionais renomados”.

A palestra, que foi assistida também pelos estudantes da 5ª e 6ª séries, fez parte da II Semana do Livro e da Leitura do Colégio Bernoulli. De acordo com a bibliotecária Andreza Félix, a proposta visa sensibilizar os alunos sobre a importância da literatura, além das leituras obrigatórias exigidas pela escola. “É uma experiência ligada ao prazer e ao lúdico”, destaca. Entre as atividades, são promovidas oficinas de contação de histórias, exposição de trabalhos, intervenções literárias durante as aulas, exibição de filmes cujo roteiro é baseado em livros, além de apresentações musicais e culturais.

Mais informações e dicas de pesquisa podem ser encontradas no www.tereza.stancioli.nom.br.