Entrevista concedida ao Jornal Estado de Minas.
11 de março de 2008



Maria Tereza Stancioli
"O guia tem como objetivo facilitar a busca de material na internet, minimizando o tempo gasto com sites irrelevantes e oferecendo bons conteúdos para trabalhos escolares"
Augusto Pio

Renato Weil/EM

 


Para navegar com segurança


A analista de tecnologias da informação e sistemas Maria Tereza Stancioli lança neste sábado, a partir das 9h30, na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte (Rua Carangola, 288, Bairro Santo Antônio, fone: 3277-8658), o livro Websites analisados para pesquisa escolar. Trata-se de um guia com 72 páginas, dividido por disciplinas, com temas transversais e outros que podem ser abordados pela escola, dirigidos a alunos e professores do ensino fundamental e médio. A autora atua desde 1986 na área de informática, prestando suporte à área educacional. Trabalhou em instituições de ensino, nas quais teve a oportunidade de conviver com professores e alunos, ministrando cursos, treinamentos e oferecendo soluções tecnológicas para melhores resultados. Atualmente, é consultora nessa área e continua seu trabalho, buscando agregar eficiência e competência tecnológica à comunidade escolar. Em entrevista ao D , Maria Tereza fala um pouco sobre o livro.

O que a levou a escrever o guia?

A internet é um ambiente riquíssimo, onde se pode encontrar o que quiser para comprar, divertir, estudar e trabalhar. Além de rico, é também um ambiente democrático, no qual todos podem se manifestar e encontrar coisas boas e ruins. Para encontrar as boas, é preciso ter tempo, considerando-se o volume de informações contidas na rede e também todo o lixo e informações poluídas sobre cada tema abordado. A seleção de sites envolve análises – crítica, comparativa, de credibilidade. Poucos têm o tempo necessário para fazer uma pesquisa relevante. Há uma insatisfação crescente por parte da comunidade escolar, no que diz respeito a essa busca.

Fale um pouco sobre a publicação.

O guia tem como objetivo facilitar a busca de material na internet, minimizando o tempo gasto com sites irrelevantes e oferecendo bons conteúdos para trabalhos escolares. Os sites foram analisados quanto à navegação, design, conteúdo, velocidade de acesso e credibilidade. O guia não oferece sites de pesquisas prontas e, sim, para pesquisa. O conteúdo apresentado é tão dinâmico quanto a internet. E a proposta é uma atualização mensal pelo site www.tereza.stancioli.nom.br, onde são indicados novos endereços, assim como as mudanças. Ele auxilia o estudante na fase inicial da pesquisa escolar e poupa alunos e professores do tempo que gastariam com a busca.

Alguns sites não são confiáveis. Como você fez a seleção?

Analisando a credibilidade da fonte, observando as referências bibliográficas ou links para fontes de pesquisa, quem assinou o site, a identificação da equipe de desenvolvimento e verificando se o site apresenta endereço e se oferece suporte ao usuário.

Você não acha que a consulta fácil aos sites pode incentivar ainda mais alunos que adotam o control C/ V?

Encontrar rapidamente um site interessante para o trabalho escolar oferece ao aluno mais tempo para fazer as pesquisas e trabalhos. O copiar/colar é favorecido ou dificultado pela estratégia de pesquisa utilizada pelo professor e por sua postura diante disso. Penso que o aluno que utiliza o control C/ V é o mesmo que cola nas provas, que copia trabalhos de outros colegas.

Muitos acreditam que a internet desenvolve uma certa preguiça mental nos alunos porque encontram tudo com facilidade através dos sites de busca. Qual a sua opinião?

A preguiça mental, no meu ponto de vista, vem da falta de motivação, da mesmice. Um professor competente, um bom site e a criatividade do aluno podem produzir coisas incríveis.

Pesquisa feita pela Unicamp (SP), revelou que o computador atrapalha o aproveitamento do aluno. Aqueles que fazem muito uso dele acabam se distanciando dos estudos. Você concorda com isso?

Li a respeito mas não conheço o trabalho e nem em que condições foi desenvolvido. Não concordo, pois trabalho há anos com crianças e computadores, tanto no ambiente escolar como fora dele – crianças super desenvolvidas, outras com dificuldades de aprendizado e concentração, hiperativas, deprimidas ou felizes. O computador é apenas um instrumento, tudo depende do contexto em que ele seja utilizado, das estratégias de pesquisa e aprendizagem, da motivação e orientação. Se um aluno é largado solto diante de um computador na internet, vai se dispersar, passeando em sites de jogos, relacionamentos e se distanciando dos estudos. Mas, se for orientado para o trabalho e se lhe forem dadas oportunidades de aprender, compartilhar o conhecimento e se manifestar, o aproveitamento será ótimo.

Como está sendo feita a divulgação do guia?

Começamos a divulgá-lo em escolas, pois a proposta do trabalho é oferecer um produto útil e de qualidade à comunidade escolar. Ninguém melhor que a escola para avaliar estes quesitos, quando o assunto é conteúdo para trabalhos escolares. O guia será divulgado e oferecido ao usuário final – alunos, pais, professores e bibliotecários. A responsável pela divulgação do guia, Cláudia Dangelo, já agendou várias feiras, inclusive a Bienal do Livro, em maio. Além disso, será vendido em livrarias, papelarias, supermercados e em bancas de jornais ainda este mês.